Convovo-te delírio!
Para que produzas dentro de mim
um sismo imenso
que me abale até às profundezas
do meu ser.
Quero estremecer
para fazer ruir os pedaços de tristeza
agarrados como parasitas
às paredes da memória.
Preciso desse solavanco para acordar
o zumbido aterrador do silêncio
e derrubar a porta do limbo
onde estou mergulhado,
para me erguer num voo
que se perca entre a luz das estrelas,
como uma vontade que se liberta,
como um animal selvagem
que deixou de hibernar.
Ouve-me! Escuta o meu grito,
forte como um trovão
que dilacera os céus
e reverbera no teu corpo imaculado
a mais bela melodia,
acordando os sonhos,
transformando a tua alma na minha musa.
É por ti que vibro,
qual sino anunciando um novo
e eterno momento.
É em ti que estremeço quando vagueio
por entre as estrelas
para descobrir a centelha
que iluminará o nosso novo mundo.
Esse mundo onde vivem as estrelas
de raízes profundas,
cujos nomes se assemelham
ao das flores, pétalas macias para cobrir
os nossos corpos nus.
Aí, poderemos ferir-nos sem receio,
porque bastará uma carícia sobre o ardor da ferida
para que a cicatriz se desenhe, majestosa,
sobre a pele…
Abrem-se os lábios… e eu mereço-te!...
albino santos
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