
A BOLHA
Há
poucos dias, passei por um mendigo sem abrigo. Trocamos um olhar. Dei dois
passos e parei. Voltei a olhar. E nesse segundo olhar senti vergonha. Eu,
vestia roupa de marca, quente e confortável. Tinha uma boa casa, aquecida, ali
bem próximo. Senti vergonha de pertencer a uma sociedade tão desigual, tão
absurdamente estúpida. É dessa vergonha que falo quando alguém vira a cara para
não ver, quando alguém muda para o outro lado da rua para não ter de encarar a realidade,
apressando o passo, para desaparecer rapidamente no final da rua. Por isso, é
que cresceu uma bolha imensa de conformismo, onde se acolhe a indiferença, o
egoísmo, a falta de coragem, a indignidade.
Para os que, vergonhosamente, se
escondem nessa bolha, a vida torna-se, aparentemente, tão mais leve, tão mais
graciosa quando não tropeçam na miséria. Para esses, o NATAL não passa de uma
falsa e hipócrita manifestação de superioridade.
Como nos diz Miguel Torga:
“À volta da lareira
quantas almas se aquecem
fraternalmente?
Quantas desejam que o Menino venha
ouvir, humanamente,
o lancinante crepitar da lenha?”
PARA TODOS OS MEUS AMIGOS,
DEIXO OS VOTOS DE UM FELIZ NATAL,
PLENO DE PAZ,
FRATERNIDADE, SAÚDE E AMOR!
albino santos
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