As palavras deslizam,
contornam, descobrem-te. Há nelas uma suavidade densa que te atravessa sem
pressa, como se cada sílaba fosse um gesto, cada pausa um convite. E o desejo,
longe de te lançar no abismo, começa a guiar-te com uma delicadeza firme,
conduzindo-te por sensações que te envolvem em doce volúpia.
Sente…
mas agora devagar, como quem percorre a própria pele com o tempo suspenso. Não
te precipites ainda no fogo – deixa-o crescer em ti, como um calor que começa
discreto e pouco a pouco se instala, se espalha, se insinua em cada recanto do
teu corpo. Respira – sente como tudo em ti responde, como se o próprio ar
tivesse peso, textura, intenção. Há um arrepio subtil que nasce onde menos
esperas, e cresce – lento, persistente – até se tornar inevitável. Como um segredo
que o corpo guarda e, finalmente, decide revelar. E nesse instante há um
impulso mais íntimo, mais próximo – quase como um murmúrio junto à pele. Ele
não te percorre de uma só vez, vai com cuidado, como quem conhece o caminho sem
precisar de o ver. Há um prazer que se derrama nesse gesto, um delírio que não
explode – prolonga-se. E prolonga-se… até que já não há fronteira entre ser e
sentir. Até que o desejo deixa de ser impulso e se transforma em vertigem quase
hipnótica. Tudo em ti se abre, como se o próprio tempo tivesse decidido
abrandar só para te acompanhar. E nesse derramar quase sagrado o prazer
torna-se luz!
albino santos
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