Há muito que as minhas águas aprenderam
o caminho para chegar até ti e nunca mais deixaram de correr na tua direcção.
Em ti desaguam os rios da espera e os da esperança. Os que nascem serenos nas
montanhas da manhã e os que transbordam nas tempestades da noite. Em ti chegam
as correntes que escondo do mundo, carregadas de silêncios, memórias e
perguntas que nunca ousei pronunciar. Entrego-te tudo o que passa por mim: as
margens que construí para me proteger, as pontes que ergui para te alcançar, os
reflexos de céu que transporto nas águas inquietas do meu peito.
Mas os rios
também se cansam de correr sem saber se rumam ao mar ou ao deserto. Até quando
as minhas águas hão-de procurar o teu horizonte? Até quando farei de ti a foz
de tudo o que sou?
Porque há uma hora em que até
os rios desejam repousar. Uma hora em que deixam de querer perder-se e começam
a desejar encontrar-se. O rio que durante tanto tempo correu para encontrar a
tua foz, começa a escutar o rumor distante das suas nascentes.
albino santos
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Un río de amor que seguro llegará al lugar soñado, un abrazo Albino!
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