Há qualquer coisa em ti que não
pertence inteiramente a este mundo. Como se trouxesses nos olhos a memória das
constelações que já não existem, e na voz o eco distante de uma promessa feita
antes de existirmos. Como se a tua alma tivesse atravessado dimensões, tempos e
vidas apenas para conhecer a minha. Talvez tenha sido a lua, cúmplice das almas
que se procuram no escuro. Ou talvez as estrelas, testemunhas de tudo o que
fomos e de tudo aquilo que ainda não sabemos que seremos, a conspirar em silencio para cruzar os nossos caminhos. Porque há encontros que começam
muito antes de acontecerem, num lugar onde o tempo não existe, onde as almas
não têm nome e os destinos são apenas raios de energia entrelaçados numa imensa
teia cósmica.
Talvez tivéssemos caminhado por universos diferentes, sob outros nomes, em
outros corpos, amando-nos e perdendo-nos vezes suficientes, para que nesta vida
bastasse um olhar para que o fogo se acendesse dentro de nós. Há em ti uma
energia que me atravessa, cuja razão não se consegue explicar. Não sei se foste
destino, acaso, ou uma dessas misteriosas leis do universo que ainda não aprendemos
a compreender. Não sei se foste uma estrela que caiu no meu caminho, ou se fui
eu que, sem saber, passou uma vida inteira a caminhar na tua direcção. Apenas
sei que desde que nos cruzamos, tudo o que é silêncio tem a tua voz. Escuto-te
na minha intuição, nos sonhos que chegam sem aviso, naquela sensação
inexplicável de que existe algo maior a mover-se por detrás de tudo o que acontece.
Há mistérios que não foram feitos para serem desvendados, mas para serem
sentidos. E tu és o meu mistério. A coincidência impossível. A estrela que
apareceu no céu certo, na noite certa, no momento exacto em que eu já tinha deixado
de procurar.
Por isso, se um dia me
perguntares o que somos, não saberei responder. Direi apenas que somos duas
almas que atravessaram o infinito sem saber que caminhavam uma para a outra com
desejos no corpo e a boca cheia de beijos. E se isto for apenas um sonho, não
me acordes, porque nós sabemos que há sonhos bem mais intensos que a própria
realidade.
albino santos
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Dos almas que el destino unió, un abrazo Albino!
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