EU NÃO ARDO NAS SOMBRAS, CONSTRUO ALVORADAS!...

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

TEMPO DE CEREJAS


 






Nós fomos o tempo das cerejas
a felicidade nua a pulsar nos lábios
um verão breve
amadurecendo entre os dedos

Fomos tardes abertas ao sol,
a pele morna, o riso sem destino
e aquele silêncio doce
onde o mundo parecia caber inteiro
dentro de um beijo.
Aprendemos a sorver a vida devagar
como quem acredita
que a eternidade pode começar
em qualquer instante.

Mas todos os estios se despedem.
Vieram os dias mais pálidos
e o verão amadurecendo em silêncio
dentro de nós.

Nós fomos o tempo das cerejas
e talvez por isso
ainda há doçura naquilo que nos dói…


.

albino santos
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