"Há um olhar que não pertence ao dia.
Ele caminha entre sombras e silêncios, vem por atalhos que só a noite conhece. Insinua-se, desliza, toca o limiar do meu sono como quem
acende uma chama num quarto escuro. E eu sinto-o antes de o ver: uma vibração
leve, um pressentimento que me agita. Vem sempre diferente, como se mudasse de
rosto para não ser reconhecido. Às vezes é ternura, outras, vertigem. Mas em
todas as suas formas há um fascínio que se sente naquilo que nunca se tem por
inteiro. E então, quando os ponteiros do tempo dormem profundamente, esse olhar
chega silencioso como uma sombra. Rouba-me o sono como quem rouba um segredo. E
eu, cúmplice do furto, deixo que me leve – porque há algo de doce em perder o
repouso por uma presença que não se explica.
No fundo, talvez eu nem queira
dormir. Quero sentir o abismo doce desse olhar, o eco que deixa no corpo, o
perfume que fica quando esse olhar se vai. Seduz-me o que não se toca, o que
apenas visita – o olhar que todas as noites vem, por algum atalho, para me
roubar o sono e me devolver â vida."
albino santos
( in " A Frágil Teia dos Dias" | Excerto )
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Esa mirada que te hace soñar, Albino, un abrazo!
ResponderEliminarPoeta Albino, boa tardinha de domingo!
ResponderEliminarHá coisas quem vêm em detrimento de outras e algumas caem bem ao coração.
Muito bonito poema.
Tenha uma nova semana abençoada!
Abraços fraternos