EU NÃO ARDO NAS SOMBRAS, CONSTRUO ALVORADAS!...

sábado, 26 de setembro de 2026

VOLTO!...


 




Depois de uma pausa necessária, retomo o meu espaço onde o sonho nunca se esvai. Talvez não o faça com a assiduidade que gostaria. Mas, fá-lo-ei apenas enquanto possa continuar a deambular entre as palavras, sem pressas e na medida em que isso me permita manter com quem me lê uma salutar relação de partilha, afecto e cumplicidade. Este tempo de ausência, foi para mim um tempo de reflexão sobre o tempo, a vida e tudo que nos envolve na complexa e frágil teia dos dias. O tempo passa sem fazer barulho, não bate à porta, não nos chama pelo nome, não nos avisa que certa manhã será a última de uma vida. Que um determinado abraço não voltará a acontecer. Somos estranhos diante do tempo.

Cada aniversário acrescenta uma vela, mas também retira um pouco do desconhecido que existe à nossa frente. Cada fotografia que guardamos é uma pequena prova de que aquele instante já não existe. Cada casa onde vivemos, cada cidade que deixamos, cada pessoa que amamos, pertence já a uma espécie de lugar invisível onde só podemos entrar através da memória. E a memória, muitas vezes só guarda aquilo que julgávamos insignificante e esquece aquilo que pensávamos inesquecível. Por isso, devemos olhar para o tempo de outra maneira. Não como aquilo que nos falta, mas como aquilo que ainda temos. Não como uma contagem decrescente destinada a assustar-nos, mas como uma oportunidade irrepetível. De viver. Porque ninguém sabe quanto tempo ainda tem. Essa é uma das poucas verdades que nos igualam. Podemos saber a nossa idade, mas nunca saberemos a duração da nossa história. Podemos contar os anos que vivemos, mas nunca saberemos os anos que nos faltam.

Enquanto lemos estas palavras, alguns segundos já ficaram para trás. Não voltarão. Outros chegaram entretanto, silenciosos, quase invisíveis. E continuarão a chegar, um após outro, até o dia em que chegará o último. Não sabemos qual será. E talvez seja melhor assim. Porque se soubéssemos exactamente o tempo que nos resta, viveríamos aterrorizados pela contagem.

Não precisamos de saber quanto tempo falta. Precisamos apenas de não esquecer que entre o primeiro instante e o último, existe um milagre breve a que chamamos vida!...

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albino santos
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