No teu corpo começa a madrugada.
Sem palavras,
no vértice mais íntimo da noite,
onde desperta o rumor
do fogo nas colinas.
Não há ruído,
só uma boca com sede que nasce
quando me deito sobre o teu peito.
Os teus olhos ainda guardam a noite
esperando o florir do amanhecer.
É ali que fico,
até que a noite incline os seus ramos,
rasguem o silêncio dos lábios
e o escuro deixe de doer.
No teu corpo começa a madrugada
porque eu já aprendi a ficar,
deixando a mão deslizar
sobre a tua cintura.
Sem pressa.
Sem medo.
Como quem finalmente encontra
onde pousar o coração.
albino santos
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