agora arde!
Pulsa em silêncio,
é um coração em motim
batendo contra as paredes do peito
como quem exige o céu.
Transformou-se em paixão,
já aprendeu a morrer
e arde na sua rebeldia, sem sombra
nem mágoa.
Já não se divide em metáforas;
estremece em desejos com carícias nas mãos.
Não respira vírgulas;
acaricia o vento na delícia súbita
de ser brisa. Também voa!
Se antes era brasa escondida
sob a língua.
agora é chama aberta,
dessas que queimam, devassam
e não param de crescer.
Já não transforma a dor
em alfabeto – ama no ardor indizível das palavras.
Não faz da ausência morada permanente,
vai perder-se no prazer onde
a sombra entra devagar.
E o corpo que antes tolerava a rebelião
discreta do poema,
rende-se inteiro, sem reservas.
Porque a paixão não quer ser lida.
Quer ser vivida,
com sofreguidão,
intensamente,
até ao limite da sua combustão.
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