Não tens hora para chegar –
és como a maré que ignora as horas
e aprende o caminho pelo instinto da lua.
Vens quando o silêncio escorre nas janelas
e a noite respira sobre os telhados.
Poisas no canto dos meus lábios
como um pássaro assustado,
trazendo nas asas o cansaço da distância
e no peito um coração pulsante de desejo.
Há em ti uma urgência súbita,
um pedido mudo de aconchego
como se a minha boca
fosse o último ramo antes da queda,
ou o ninho seguro contra a tempestade.
Ficas em mim, entre o ardor do desejo
e a vontade de permanecer.
De beijo em beijo
vais subindo até ao ramo mais alto
como se a noite te procurasse
louca por arder...
albino santos
* Reservados Todos os Direitos de Autor
POLYEDRO
EU NÃO ARDO NAS SOMBRAS, CONSTRUO ALVORADAS!...
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026
DE BEIJO EM BEIJO
terça-feira, 10 de fevereiro de 2026
O DESABROCHAR DE UMA ROSA...
De pétala em pétala
a rosa vai-se abrindo à luz dos dedos
como quem desperta de um sonho.
Não há pressa no seu gesto -
há uma escuta atenta ao tempo
na aceitação suave desse instante. Os dedos não chegam para possuir,
chegam como quem acaricia.
Trazem consigo a íntima claridade
de uma luz que não cega – apenas revela.
E a rosa rubra, sensível a esse chamamento,
vai desabrochando, pouco a pouco,
à luz dos dedos.
Cada pétala que se abre
é uma memória que respira,
um céu perfumado que cai sem ruído.
Num um diálogo silencioso e breve
abrem-se as pétalas macias,
na lentidão luminosa dos dedos.
* Reservados Todos os Direitos de Autor
domingo, 8 de fevereiro de 2026
SEDE...
Tenho os braços em redor do teu corpo
e sinto sede.
Por um instante breve e impetuoso
o teu corpo é como um rio,
onde a fugidia voz da água se perde
nos contornos do teu corpo.
talvez haja uma fonte nascendo
ou um oásis a florir no coração.
E enquanto dentro de mim
alguma coisa ardia,
derramei a sede no teu olhar
onde os meus olhos sempre se saciam,
mas encontrei uma fonte extenuada
adormecida nos teus olhos.
Senti - me um deserto,
onde o oásis só floresce quando
o teu corpo é um rio impetuoso
onde o meu se perde.
Sedento de ti,
longamente, bebo o horizonte
como quem bebe a madrugada…
* Reservados Todos os Direitos de Autor
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026
QUANDO ENTRAS NO MEU SONO
e de repente a escuridão
torna-se fértil e as horas deixam de contar.
Não bates à porta do adormecer,
vens como uma luz que não acorda,
como se soubesses o lugar exato
onde a insónia se desfaz.
entras suavemente no silêncio.
És o gesto invisível
que fecha os meus olhos,
a certeza de que não estou só.
E quando me tocas,
o mundo afasta-se devagar
como a maré obediente à lua.
No teu silêncio há sede de amor,
e no teu olhar apenas desejo
mordendo a noite.
Os pensamentos soltam-se das mãos,
o tempo desfaz-se em pó de estrelas
e eu adormeço em ti.
E se o sonho chega,
é porque em mim te envolves
para ser chama pura
e a ternura que a noite inventa
para me deixar desperto para ti.
E quando o dia decide amanhecer,
ficas comigo
como quem guarda um segredo.
Porque tudo em mim acorda
quando entras no meu sono.
* Reservados Todos os Direitos de Autor
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026
NO TEU CORPO COMEÇA A MADRUGADA
No teu corpo começa a madrugada.
Sem palavras,
no vértice mais íntimo da noite,
onde desperta o rumor
do fogo nas colinas.
Não há ruído,
só uma boca com sede que nasce
quando me deito sobre o teu peito.
Os teus olhos ainda guardam a noite
esperando o florir do amanhecer.
É ali que fico,
até que a noite incline os seus ramos,
rasguem o silêncio dos lábios
e o escuro deixe de doer.
No teu corpo começa a madrugada
porque eu já aprendi a ficar,
deixando a mão deslizar
sobre a tua cintura.
Sem pressa.
Sem medo.
Como quem finalmente encontra
onde pousar o coração.
albino santos
* Reservados Todos os Direitos de Autor
sexta-feira, 30 de janeiro de 2026
ONDE SEMPRE AMANHEÇO...
Encosto-me à noite
com os dedos fatigados
e entro no bosque adormecido
onde a luz se esconde.
O teu corpo responde
ainda antes da tua voz,
e eu leio-te no arrepio leve
e no suspiro que tentas conter.
Há um rumor diáfano entre nós,
uma seiva lenta a subir pelos pulsos
quando te toco
e parece que o mundo se estreita:
a minha boca encontra a tua,
e o meu nome treme dentro do teu.
O teu corpo vibra
sussurra sem palavras,
e eu sigo o teu desejo,
levando o meu próprio fogo
para arder contigo.
Os dedos já não sentem cansaço,
é a ti que sentem!
O teu corpo chama-me
com a voz onde eu sempre amanheço
e eu entrego cada pedaço de mim
ao teu desejo
como quem oferece a luz dos olhos.
albino santos
* Ressrvados Todos os Direitos de Autor
terça-feira, 27 de janeiro de 2026
QUANDO SORRIS...
Quando sorris, algo em mim
reconhece um lugar onde já estive. Não é memória, é sensação. O teu sorriso não
promete cuidado nem excesso, e isso é o que mais me estimula. Há uma sedução
silenciosa na forma como existes diante de mim. De repente, tudo o que sou
ganha outros contornos em função da tua presença. As emoções tornam-se mais
nítidas, mais honestas, quase dolorosas na sua clareza. O desejo nasce aí, não
como urgência imediata, mas como necessidade de permanecer nesse campo intenso
onde já não me escondo. Esse teu sorriso doce e sedutor não é leviano – é lucidez
extrema. Um modo de sentir tão próximo, que sustenta o olhar mesmo quando ele
pesa. Sinto-me num lugar delicado, num céu que tudo promete, um mar de insónia
onde o teu olhar paira, como um aroma de primavera num amanhecer de outono. Quando
te aproximas – mesmo sem tocar – a pressa dissolve-se. Fico preso ao instante,
atento ao que pulsa sob a pele, à forma como o silêncio entre nós se torna
carregado de significado. Não é tensão vazia, é desejo em estado bruto. É ali
que percebo que o que me prende além do corpo, é também a forma como me fazes
sentir profundamente desejado. Quando sorris, não me convidas apenas a querer-te;
Convidas-me a existir mais intensamente, a aceitar que há emoções que não podem
perder tempo, para que a ousadia possa penetrar no brilho dos teus olhos, cintilando
no seu silêncio de fogo. Ou tomar os teus lábios para sentir o sabor do beijo,
num devaneio louco que a lucidez não conseguiu desvanecer.
albino santos
* Reservados Todos os Momentos de Autor