Descobri tarde
que o tempo não é uma estrada.
É um oceano. Afundamos nele
e chamamos passado
àquilo que ainda nos toca.
Chamamos saudade
àquilo que sobreviveu ao naufrágio
e chamamos eternidade
ao que o tempo não conseguiu desfazer.
Por isso, permanecemos na margem
onde todas as horas
esperam umas pelas outras.
Foste um dia por terminar,
uma tarde que recusou o crepúsculo,
um longo beijo de despedida
em que cada instante
morre na água com sede de fogo.
E nós,
que nunca aprendermos a parar o tempo
passamos a vida inteira
a tentar regressar ao minuto
em que ainda nos julgávamos eternos!
albino santos
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