POLYEDRO
EU NÃO ARDO NAS SOMBRAS, CONSTRUO ALVORADAS!...
sexta-feira, 17 de julho de 2026
sábado, 20 de junho de 2026
A FRÁGIL TEIA DOS DIAS...
Este será o meu próximo livro que será apresentado ao público no dia 25 de Julho ( sábado) pelas 16h00, na Casa Branca de Gramido. Um local de rara beleza situado na margem do rio Douro.
Todos estão desde já convidados
para o evento. Será muito gratificante poder contar com a V/ estimulante presença.
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No conjunto de textos contidos
nesta obra, descobriremos percursos de um novo encantamento, onde as palavras
gravitam pelo fascinante mundo das emoções, onde tudo é tão próximo e
intocável.
“Tudo o que vive à superfície dos dias parece eterno enquanto respira. Mas há sempre qualquer coisa à espreita – um
desvio invisível, uma súbita mudança de luz, uma palavra dita tarde demais
capaz de desfazer a arquitectura do quotidiano. Vivemos como quem atravessa uma
ponte suspensa por fios de memória e hábito. Cada gesto repete o anterior para
nos convencer de que existe continuidade, de que amanhã será apenas uma
continuação dócil do dia de hoje. No entanto, basta um golpe de vento. Um telefonema.
Um silêncio prolongado. Basta o rasgão inesperado de um poema dentro do peito
para tudo perder o nome no meio de sombras.
Porque tudo o que acontece “ na frágil teia dos dias” nunca nos pertence verdadeiramente. É apenas
um vento de passagem – breve, luminoso e impossível de segurar.
*O acompanhamento da edição deste livro e a sua promoção, vai certamente retirar-me algum tempo para estar convosco. Espero a V/ compreensão.
O AUTOR
albino santos
quarta-feira, 17 de junho de 2026
... SE UM ADEUS HOUVER
Ao
sol débil e já tardio
na ânsia de abraçar quanto podia
dei-te o mais secreto e estranho beijo.
Mas tanto exigimos às breves carícias
que nos perdemos na vertigem
do beijo amachucado
e ficamos sem mãos antes do tempo,
sem uma palavra,
sem um rumor de pálpebras.
o perfume vivo dos nossos corpos.
Aturdidos em silêncio
tudo declinou e empalideceu
e veio o vento magoar-nos
com a frieza de olhares silenciosos.
E se um adeus houver
tudo se vai perder no rumor do vento,
por nada de eterno haver entre os lábios.
* Reservados Todos os Direitos de Autor
segunda-feira, 15 de junho de 2026
O RIO
Há muito que as minhas águas aprenderam
o caminho para chegar até ti e nunca mais deixaram de correr na tua direcção.
Em ti desaguam os rios da espera e os da esperança. Os que nascem serenos nas
montanhas da manhã e os que transbordam nas tempestades da noite. Em ti chegam
as correntes que escondo do mundo, carregadas de silêncios, memórias e
perguntas que nunca ousei pronunciar. Entrego-te tudo o que passa por mim: as
margens que construí para me proteger, as pontes que ergui para te alcançar, os
reflexos de céu que transporto nas águas inquietas do meu peito.
Mas os rios
também se cansam de correr sem saber se rumam ao mar ou ao deserto. Até quando
as minhas águas hão-de procurar o teu horizonte? Até quando farei de ti a foz
de tudo o que sou?
Porque há uma hora em que até
os rios desejam repousar. Uma hora em que deixam de querer perder-se e começam
a desejar encontrar-se. O rio que durante tanto tempo correu para encontrar a
tua foz, começa a escutar o rumor distante das suas nascentes.
albino santos
* Reservados Todos os Direitos de Autor
quinta-feira, 11 de junho de 2026
ONDE O MAR CANTA...
Fui eu quem traçou
caminhos de fogo
sobre os teus silêncios,
quem abriu as janelas no teu corpo
para que a luz entrasse.
E em cada lugar onde estremeces
o prazer floresce
e tem o traço das minhas mãos.
Desenhei-te sem tinta, sem tela,
apenas com a ternura de quem ama.
Conheço o exacto
instante
em que se liberta o teu suspiro,
o segundo breve
em que deixas de resistir
para floresceres nas minhas mãos.
Porque o prazer não nasce apenas
quando alguém navega o teu corpo
como quem navega o mar
sem o dominar nunca,
mas sabendo exactamente onde ele canta!
albino santos
* Reservados Todos os Direitos de Autor
sexta-feira, 5 de junho de 2026
SONHEMOS ENQUANTO HÁ TEMPO AINDA...
Sonhemos enquanto há tempo
ainda, porque o que é belo depressa se finda.
Antes que a noite se dissolva na pálida cinza das horas, deixa que o silêncio
nos envolva como um manto de veludo. Despe a pressa dos ombros, deixa cair a
noite devagar sobre a pele. Toca-me, com dedos lentos, com olhos famintos, com
essa ternura que faz o coração arder sem ruído. Há nos teus olhos um brilho
quase triste, quase eterno, como jardins esquecidos pelo inverno à espera de
Abril.
E quando a tua mão encontrar a minha, o mundo abranda – as taças
repousam, os relógios hesitam e até o vento parece escutar-nos.
Ama-me. Com a delicadeza rara das coisas que não regressam. Encosta o teu rosto
ao meu como quem protege uma chama contra a crueldade do tempo. Porque a beleza
vive pouco, e o amor, quando verdadeiro, arde com uma luz serena que nenhuma
madrugada consegue extinguir. Depois… se o destino quiser separar-nos, ficará
ao menos esta memória: duas almas abraçadas na eternidade de um instante perfeito.
albino santos
* Reservados Todos os Direitos de Autor
segunda-feira, 1 de junho de 2026
AMANHECER
O sol nasceu hoje no meu
quarto. Não entrou pela janela – aconteceu. Como acontecem certas memórias que
regressam sem aviso, como certos nomes que continuam a viver dentro de nós
mesmo depois do silêncio. A madrugada ainda respirava devagar quando a luz começou
a tocar as paredes, primeiro tímida, depois mais intensa, impossível de
ignorar. Depois pousou sobre a cama desfeita, percorreu os livros esquecidos na
mesa de cabeceira, os pequenos destroços invisíveis deixados por uma noite de
insónia.
Havia qualquer coisa de
diferente naquele amanhecer. Não sei explicar. Talvez porque o silêncio não
pesava. Talvez porque, pela primeira vez em muito tempo, o vazio não me magoava.
A luz caminhava pelo quarto como se já conhecesse o lugar. Tocou-me o rosto
devagar, demorou-se nos meus lábios, aqueceu-me a alma como quem tenta salvar
uma chama quase extinta.
Depois beijou-me a boca
demoradamente. Foi um beijo lento, profundo, feito de amor e ternura. Um beijo
capaz de suspender o tempo. Naquele instante, percebi que há ausências que
nunca partem verdadeiramente. Apenas mudam de forma. Outras vezes tornam-se
luz.
Fechei os olhos e deixei-me
ficar imóvel, escutando o rumor da cidade a acordar. Lá fora, as pessoas corriam
para os seus dias, os relógios continuavam cruéis. Mas ali dentro, o tempo
tinha abrandado. Como se o mundo respeitasse a delicadeza daquela manhã. Sentia-te
em tudo. No ar morno junto às cortinas, na poeira dourada suspensa nos raios de
luz, no calor da luz misturado ao resto do meu sono. Na forma como o coração,
às vezes, insiste em reconhecer alguém mesmo na ausência.
Então compreendi aquilo que
talvez já soubesse desde sempre: certas pessoas não passam pela nossa vida –
permanecem nela. Habitam-nos. Ficam escondidas na maneira como olhamos o céu,
no silêncio que deixamos crescer antes de adormecer.
Por isso o sol nasceu no meu quarto esta manhã.
Por isso a luz parecia ter mãos.
Por isso o meu coração acordou menos cansado.
Porque o sol, hoje, tinha o teu nome!
albino santos
* Reservados Todos os Direitos de Autor