nos teus lábios.
Não é apenas aroma – é a respiração
profunda do mundo antes da aurora nascer.
Trazes na boca o húmus das constelações,
o doce calor da lua ainda intacta,
a sombra macia onde as estrelas
despem o brilho para descansar. E eu, fico suspenso na tua órbita anoitecida,
porque em ti,
a noite não é ausência de luz,
é o leito assombroso e fértil,
o silêncio febril da boca acesa
onde o desejo germina sem ruído.
Beijar a tua boca,
é atravessar a noite sem a ferir,
colher a sua fragrância
e guardá-la no peito,
como se guarda na boca um beijo
ainda quente.
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