EU NÃO ARDO NAS SOMBRAS, CONSTRUO ALVORADAS!...

quinta-feira, 8 de outubro de 2026

AMANHECER NA TUA BOCA...


 









O teu beijo é o primeiro pássaro,
a brisa que amanhece
no espaço ainda em fogo da minha pele.
E quando me beijas
com a manhã inteira dentro da boca
eu compreendo
que amar-te não é só atravessar contigo
o calor húmido da noite
onde os nossos corpos se entrelaçam.
É também saber que o amanhecer
também pode ser excitante…

Devagar, ergue-se o sol,
e eu beijo-te para celebrar o dia
que nasce amorosamente entre nós.
Os teus lábios – antes recolhidos
na sombra da noite – abrem-se em cor
e eu provo o dia a nascer na tua boca.



albino santos
( in "A Teia Frágil dos Dias")
* Reservados Todos os Direitos de Autor


segunda-feira, 5 de outubro de 2026

É ESPANTOSA A NOITE NO TEU ROSTO


 






É espantosa a noite no teu rosto.
Não a noite sombria dos medos
mas a noite profunda,
onde o silêncio respira
e tudo ganha profundidade.

Há em ti um crepúsculo lento,
Uma sombra que não se esconde – revela.
O teu olhar carrega estrelas solitárias
que só brilham
para quem se aproxima sem pressa,
como se já soubessem
onde o meu corpo hesita
e onde a minha vontade cresce.

A noite em ti é espantosa
porque é viva. Porque pulsa.
Porque me envolve antes do abraço,
e me deixa à mercê
do que ainda não aconteceu.
E quando sorris,
é como se o amanhecer tivesse decidido
nascer só para nós.



albino santos
( in A Frágil Teia Dos Dias )
Reservados Todos os Direitos de Autor


quinta-feira, 1 de outubro de 2026

AS SOMBRAS DA NOITE












Deixa sair de ti
um tempo que precisa renascer!
Olha além do traço do horizonte
que ilude as todas as distâncias.
Não fiques adormecida
pelos dias que passam,
pelos sons que se repetem,
pelo tempo que se gasta a olhar o nada.

Partilha o momento
onde a sensatez se despe de preconceitos
e vem navegar neste mar envolvente
sem rota definida onde declina
a ternura dos gestos… a força da vida.

Fecha-me as pálpebras queimadas
pelo nevoeiro da tarde
antes que as sombras da noite
sejam submersas pelas águas dos sonhos.



albino santos
* Reservados Todos os Direitos de Autor


terça-feira, 29 de setembro de 2026

TUDO O QUE NÓS FOMOS...


 







Eu fui a fonte, a vertigem, o sol. Fui a água que te procurava na sede, o calor que se demorava na tua pele, a luz que entrava pelas fendas do teu silêncio. Fui impulso e demora, o lugar secreto onde te despias como o orvalho da manhã.

E tu foste o sonho. A miragem que aparecia quando eu fechava os olhos, a madrugada que se perdeu no vértice da noite, onde o impossível não existe. Eras essa forma cruel e bonita de existir dentro de mim, sem nunca, teres entrado inteiramente. Ainda me lembro de ti pelo cheiro, pelo calor, pela forma como o corpo reconhece aquilo que jamais esqueceu. Havia entre nós uma cumplicidade única. Um silêncio cheio de coisas por dizer, olhares que se demoravam longamente até os olhos se fecharem de desejo, mãos que conheciam o caminho sem jamais o percorrerem por completo. E, quando a distância se instalava entre nós, o desejo crescia e nós inventávamos tudo o que o corpo pedia.

Eu fui o sol. Tu a madrugada. Foi esse o nosso destino: Eu nascer em ti como luz, enquanto tu desaparecias em mim como sombra. Mas há sonhos que não terminam quando acordamos. Ficam suspensos no corpo como uma música que ninguém escuta. Ficam na memória dos dedos, no sabor imaginado de um beijo, naquele instante em que os olhos se fecham e, por uma fracção de segundo, acreditamos que o tempo pode voltar para trás. Eu, às vezes, ainda volto. Volto aquele lugar onde fomos possíveis. Onde eu era a fonte, vertigem , sol… e tu, antes de seres distância, eras a minha mais bela madrugada.



albino santos
* Reservados Todos os Direitos de Autor




sábado, 26 de setembro de 2026

VOLTO!...


 




Depois de uma pausa necessária, retomo o meu espaço onde o sonho nunca se esvai. Talvez não o faça com a assiduidade que gostaria. Mas, fá-lo-ei apenas enquanto possa continuar a deambular entre as palavras, sem pressas e na medida em que isso me permita manter com quem me lê uma salutar relação de partilha, afecto e cumplicidade. Este tempo de ausência, foi para mim um tempo de reflexão sobre o tempo, a vida e tudo que nos envolve na complexa e frágil teia dos dias. O tempo passa sem fazer barulho, não bate à porta, não nos chama pelo nome, não nos avisa que certa manhã será a última de uma vida. Que um determinado abraço não voltará a acontecer. Somos estranhos diante do tempo.

Cada aniversário acrescenta uma vela, mas também retira um pouco do desconhecido que existe à nossa frente. Cada fotografia que guardamos é uma pequena prova de que aquele instante já não existe. Cada casa onde vivemos, cada cidade que deixamos, cada pessoa que amamos, pertence já a uma espécie de lugar invisível onde só podemos entrar através da memória. E a memória, muitas vezes só guarda aquilo que julgávamos insignificante e esquece aquilo que pensávamos inesquecível. Por isso, devemos olhar para o tempo de outra maneira. Não como aquilo que nos falta, mas como aquilo que ainda temos. Não como uma contagem decrescente destinada a assustar-nos, mas como uma oportunidade irrepetível. De viver. Porque ninguém sabe quanto tempo ainda tem. Essa é uma das poucas verdades que nos igualam. Podemos saber a nossa idade, mas nunca saberemos a duração da nossa história. Podemos contar os anos que vivemos, mas nunca saberemos os anos que nos faltam.

Enquanto lemos estas palavras, alguns segundos já ficaram para trás. Não voltarão. Outros chegaram entretanto, silenciosos, quase invisíveis. E continuarão a chegar, um após outro, até o dia em que chegará o último. Não sabemos qual será. E talvez seja melhor assim. Porque se soubéssemos exactamente o tempo que nos resta, viveríamos aterrorizados pela contagem.

Não precisamos de saber quanto tempo falta. Precisamos apenas de não esquecer que entre o primeiro instante e o último, existe um milagre breve a que chamamos vida!...

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albino santos
* Reservados Todos os Direitos de Autor


sexta-feira, 4 de setembro de 2026

PARA TODOS OS MEUS AMIGO(A)S

É com muita pena minha que vos transmito que, por conselho médico vou suspender a minha actividade no POLYEDRO, por tempo indeterminado. Voltarei quando puder. Deixo um grande abraço a todos! ATÉ SEMPRE!...


albino santos

quinta-feira, 3 de setembro de 2026

NÃO PERGUNTES AO TEMPO...


 










Se ainda me sentes quando já não estou,
não perguntes ao tempo o que ele
não sabe dizer.
Pergunta antes ao teu corpo
porque ainda se incendeia
quando a minha ausência passa por ti.

Talvez descubras
nesse ardor que te desperta
que há desejos tão profundos
que o tempo não desgasta,
apenas os amadurece
e que um pálido aroma
é o bastante
para os fazer arder outra vez.



albino santos
* Resercados Todos os Direitos de Autor