Há apenas a ousadia do teu corpo
sobre a minha hesitação.
Desatamos os nós – não
das mãos, mas do tempo.
O dia tinha-nos atado
com pequenas cordas invisíveis. Quando a noite se abriu
como um fruto maduro
que treme nos ramos prestes a cair,
é aí que começa o amor:
na ternura das mãos, finalmente livres,
sem saberem bem o que fazer
com tanta madrugada.
Caem devagar, uma sobre a outra
como dois segredos cansados
de ser silêncio.
E o amor acontece –
não como um fogo súbito
mas como um nó que se desfaz
no lugar mais solitário da noite.
E ali ficamos, livres para o amor
como se nunca tivesse havido tempo
antes de nós!
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