EU NÃO ARDO NAS SOMBRAS, CONSTRUO ALVORADAS!...

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

AMANHECER


 

O teu beijo é o primeiro pássaro,
e a brisa que amanhece
no espaço ainda em fogo da minha pele.
E quando me beijas
com a manhã inteira dentro da boca,
eu compreendo
que amar-te não é só atravessar contigo
o calor húmido da noite
onde os nossos corpos se entrelaçam.
É também saber que o amanhecer
também pode ser excitante...
Devagar, ergue-se o sol,
e eu beijo-te para celebrar o dia
que nasce amorosamente entre nós.
Os teus lábios – antes recolhidos na sombra
da noite – abrem-se em cor
e eu provo o dia a nascer na tua boca.




albino santos
* Reservados Todos os Direitos de Autor

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

QUANDO TE ESCREVO...






Quando te escrevo,
sinto na pele um dócil ardor.
Os dedos passam sobre as teclas
como se tocassem o fogo lento da noite.
E tu és o fruto
nos meus dedos a tremer.
Podemos sonhar, voar - podemos morrer.

Percorro-te
no labirinto onde a sombra entra devagar
como quem lê um poema raro,
linha a linha, suspiro a suspiro, 
num lume breve que arde a noite inteira.

Se te falo de amor,
não é um amor abstracto, ocasional,
é tão concreto como o deslizar da mão,
lento como um beijo que começa tímido
e acaba torrencial.
E se aproximares os teus lábios
da última sílaba,
talvez sintas o calor que lá deixei
à espera desse beijo
que há-de inundar a minha boca.






albino santos
* Reservados Todos os Direitos de Autor

domingo, 22 de fevereiro de 2026

SINTO O CHEIRO DA NOITE NOS TEUS LÁBIOS

Sinto o cheiro da noite incólume
nos teus lábios.
Não é apenas aroma – é a respiração
profunda do mundo antes da aurora nascer.
Trazes na boca o húmus das constelações,
o doce calor da lua ainda intacta,
a sombra macia onde as estrelas
despem o brilho para descansar.

E eu, fico suspenso na tua órbita anoitecida, 
porque em ti,
a noite não é ausência de luz,
é o leito assombroso e fértil,
o silêncio febril da boca acesa
onde o desejo germina sem ruído.
Beijar a tua boca,
é atravessar a noite sem a ferir,
colher a sua fragrância
e guardá-la no peito,
como se guarda na boca um beijo
ainda quente.






albino santos
* Reservados Todos os Direitos de Autor

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

QUANDO O DIA DECLINA

Vens com passos suaves
e tempestades guardadas no olhar.
Quando o dia declina
e a luz se desfaz nas tuas mãos,
és tu quem se aproxima do meu silêncio,
como quem conhece os segredos da  noite.

Trazes-me carícias nas mãos
onde a ternura sempre se demora.
E quando as deixas em mim
anoiteço devagar,
no contorno da tua cintura
e nas demoradas colinas do teu peito.

Entre sussurros e silêncios
estremeces em mim,
não como carícia perdida,
mas como quem se entrega ao prazer
que as minhas mãos acendem
no lugar mais fundo
onde a noite reina, inunda, arde
e amanhece. 





albino santos
* Reservados Todos os Direitos de Autor

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

DE BEIJO EM BEIJO

Não tens hora para chegar –
és como a maré que ignora as horas
e aprende o caminho pelo instinto da lua.
Vens quando o silêncio escorre nas janelas
e a noite respira sobre os telhados.
Poisas no canto dos meus lábios
como um pássaro assustado,
trazendo nas asas o cansaço da distância
e no peito um coração pulsante de desejo.

Há em ti uma urgência súbita,
um pedido mudo de aconchego
como se a minha boca
fosse o último ramo antes da queda,
ou o ninho seguro contra a tempestade.

Ficas em mim, entre o ardor do desejo
e a vontade de permanecer.
De beijo em beijo
vais subindo até ao ramo mais alto
como se a noite te procurasse
louca por arder...





albino santos
* Reservados Todos os Direitos de Autor

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

O DESABROCHAR DE UMA ROSA...


De pétala em pétala
a rosa vai-se abrindo à luz dos dedos
como quem desperta de um sonho.
Não há pressa no seu gesto -
há uma escuta atenta ao tempo
na aceitação suave desse instante.

Os dedos não chegam para possuir,
chegam como quem acaricia.
Trazem consigo a íntima claridade
de uma luz que não cega – apenas revela.
E a rosa rubra, sensível a esse chamamento,
vai desabrochando, pouco a pouco,
à luz dos dedos.

Cada pétala que se abre
é uma memória que respira,
um céu perfumado que cai sem ruído.
Num um diálogo silencioso e breve
abrem-se as pétalas macias,
na lentidão luminosa dos dedos.





albino santos
* Reservados Todos os Direitos de Autor

domingo, 8 de fevereiro de 2026

SEDE...






Tenho os braços em redor do teu corpo
e sinto sede.
Por um instante breve e impetuoso
o teu corpo é como um rio,
onde a fugidia voz da água se perde
nos contornos do teu corpo.

No silêncio do teu peito
talvez haja uma fonte nascendo
ou um oásis a florir no coração.
E enquanto dentro de mim
alguma coisa ardia,
derramei a sede no teu olhar
onde os meus olhos sempre se saciam,
mas encontrei uma fonte extenuada
adormecida nos teus olhos.

Senti - me um deserto,
onde o oásis só floresce quando
o teu corpo é um rio impetuoso
onde o meu se perde.
Sedento de ti,
longamente, bebo o horizonte
como quem bebe a madrugada…






albino santos
* Reservados Todos os Direitos de Autor