Quando
te escrevo,
sinto na pele um dócil ardor.
Os dedos passam sobre as teclas
como se tocassem o fogo lento da noite.
E tu és o fruto
nos meus dedos a tremer.
Podemos sonhar, voar - podemos morrer.
Percorro-te
no labirinto onde a sombra entra devagar
como quem lê um poema raro,
linha a linha, suspiro a suspiro,
lume breve que arde a noite inteira.
não é um amor abstracto, ocasional,
é tão concreto como o deslizar da mão,
lento como um beijo que começa tímido
e acaba torrencial.
E se aproximares os teus lábios
da última sílaba,
talvez sintas o calor que deixei
à espera desse beijo
que há-de inundar a minha boca.
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