Segreda-me
a música da noite
sem que o dia nos ouça –
mais perto ,
quase dentro do teu respirar.
Como
quem abre um véu imaginário
e deixa cair sobre mim
a sombra quente do teu corpo.
Há um fogo manso no roçar da tua voz,
um tremor que se espalha
lento, inevitável,
como se o escuro soubesse o nosso nome.
Deixa que te invada sem pressa,
que cada sílaba seja um toque aceso
a percorrer-te por dentro.
O teu murmúrio
desata em mim todos os desejos
que escondo à luz.
A noite envolve-nos, densa,
como um segredo
e no calor do instante
já não há distância entre o que és
e o que em mim se incendeia.
Fala mais baixo – ou talvez mais fundo,
até que a tua voz deixe de ser som
e passe a ser chama
a arder intensamente em mim.
albino santos
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