Assim esbelta era a noite em que te despi." Entre esses dois momentos
cresceu uma febre silenciosa,
um desejo súbito
que o teu olhar acendeu no meu peito.
O dia guardava-te envolta numa luz clara que se derramava pelo teu corpo.
Eu via-te – e no entanto
era como se já te imaginasse na penumbra lenta da noite.
Porque a noite tem esse dom:
desata os nós do mundo
aproxima os corpos lentamente
e transforma o silêncio num lugar
onde os corpos se abrem para o esplendor.
Quando te despi
foi como abrir uma porta secreta
que sempre existira dentro de mim.
As minhas mãos avançaram devagar
com a ternura de quem descobre um segredo que arde.
Havia nos teus olhos um abismo doce
e eu mergulhava nele sem querer regressar.
Naquele instante,
o meu mundo era apenas
o esplendor do teu corpo nos meus dedos
o tremor breve da tua respiração
e o meu nome quase perdido
entre os teus lábios.
Esbelto fora o dia em que te encontrei.
Assim esbelta foi a noite em que te despi.
albino santos
* Reservados Todos os Direitos de Autor
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