EU NÃO ARDO NAS SOMBRAS, CONSTRUO ALVORADAS!...

sexta-feira, 6 de março de 2026

A REBELDIA DO POEMA ( II )


 “ A poesia talvez seja a célula do meu corpo que em vez de viver se transformou em escrita”.


Essa célula rebelde que se fez escrita
agora arde!
Pulsa em silêncio,
é um coração em motim
batendo contra as paredes do peito
como quem exige o céu.

Transformou-se em paixão,
já aprendeu a morrer
e arde na sua rebeldia, sem sombra
nem mágoa.
Já não se divide em metáforas;
estremece em desejos com carícias nas mãos.
Não respira vírgulas;
acaricia o vento na delícia súbita
de ser brisa. Também voa!
Se antes era brasa escondida
sob a língua.
agora é chama aberta,
dessas que queimam, devassam
e não param de crescer.
Já não transforma a dor
em alfabeto – ama no ardor indizível das palavras.
Não faz da ausência morada permanente,
vai perder-se no prazer onde
a sombra entra devagar.

E o corpo que antes tolerava a rebelião
discreta do poema,
rende-se inteiro, sem reservas.
Porque a paixão não quer ser lida.
Quer ser vivida,
com sofreguidão,
intensamente,
até ao limite da sua combustão.




albino santos
* Reservados Todos os Direitos de Autor

3 comentários:

  1. Fabuloso poema ardente cheio de  paixão e sensualidadegostei muito de saber como essa célula se transformou em amor 
    Nem encontro palavras tanto aqui é fogo ! minhas palavras arderem no meio do teu poema  
    Beijinhos

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  2. Como siempre tu poesía es elegante,sensual y motivadora..
    Un placer leerte siempre!
    Besos

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  3. Si el anterior fue la rebelión, esté es la manifestación del sentido del placer.
    Un buen poema repleto de sensualidad.
    Un abrazo, feliz fin de semana.

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