Não tem fim o poema que te escrevo
porque nasce quando te encostas
no meu silêncio, com a ternura
de quem toca a pele pela manhã.
Há versos que só acontecem
quando o mundo se afasta
e ficamos apenas nós
e a clara sombra
onde pousam os nossos lábios.
Todos os dias acrescento um verso
deixando a mão errar
como uma folha levada pelo vento
nas colinas ofegantes do teu peito.
E se te toco, o poema suspira,
não pede fim,
quer sempre continuar
enquanto houver este lugar entre nós
onde tudo é verdade
sem precisar de ser dito.
És página viva:
quando te leio, o texto muda,
quando te toco tudo se aprofunda.
Há palavras que só existem
no calor da tua presença,
vogais abertas como suspiros,
consoantes que tremem
quando sussurradas no ouvido.
E o poema cresce quando te moves,
quando sorris, quando me falas.
E assim, verso a verso,
vou aprendendo que amar
é escrever sem ponto final,
é deixar a frase em suspenso
para poder voltar sempre a ti.
albino santos
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