Segreda-me a música da noite
como quem abre um véu imaginário
e deixa cair sobre mim
a sombra quente do teu segredo.
Não digas tudo –
há verdades que vivem melhor
no limite do silêncio
onde o desejo cresce sem se mostrar.
A tua voz…
É um eco que me percorre como maré cheia subindo devagar
até não haver margem.
E eu fico à deriva
como uma borboleta descendo do céu
até à flor dos teus lábios.
É aí que me prendo. É aí que me perco,
como se o tempo se esquecesse
de continuar.
Não te toco ainda –
vou deixar que sejas tu a incendiar o gesto,
que seja o desejo a tornar-nos inevitáveis.
E quando finalmente
os teus lábios murmurarem o meu nome
passes a ser uma chama a arder,
intensamente,
dentro e fora de mim.
albino santos
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