Toma-me
noite.
Sem sombra de amargura, entrega-me ao teu silêncio profundo, como quem
abre os braços para um mergulho inevitável. Serei a tua seiva secreta,
dissolvendo-me em teus véus escuros, até que não reste de mim senão um sopro
que te percorre. Deixa que me disperse em ti, como um punhado de estrelas que
se desfaz no vento. Quero perder-me no calor da tua escuridão, sentir a tua
respiração roçando a minha pele, e descobrir no fundo do teu corpo imenso a
promessa de um repouso ardente. Não venho com luto, nem com a frieza dos que
temem. Venho como quem deseja, como quem se entrega sem defesa. Em teu
silêncio, encontro a música secreta que me chama. Em tua sombra, o contorno do
que sou se expande como sede, e quanto mais me desfaço, mais me torno teu.
Noite, toma-me. Faz de mim o rastro que se mistura ao teu fascínio. E que,
disperso em ti, seja eu – paradoxalmente – mais teu do que nunca.
albino santos
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Deseo, pasión y ganas del otro.
ResponderEliminarUn texto de una llamada de querer complacer.
Un abrazo, feliz fin de semana.
Impresionante entrega la tuya que ilumina la noche con la luz de tu interior, la noche toma cuerpo y se une a ti, pero...despierta, el dia te espera, la calidez y la brisa seran como lluvia fresca que te invite siempre a soñar...
ResponderEliminarprecioso relato, bello sentir querido poeta
Un abrazo