No teu corpo começa a madrugada.
Sem palavras,
no vértice mais íntimo da noite,
onde desperta o rumor
do fogo nas colinas.
Não há ruído,
só uma boca com sede que nasce
quando me deito sobre o teu peito.
Os teus olhos ainda guardam a noite
esperando o florir do amanhecer.
É ali que fico,
até que a noite incline os seus ramos,
rasguem o silêncio dos lábios
e o escuro deixe de doer.
No teu corpo começa a madrugada
porque eu já aprendi a ficar,
deixando a mão deslizar
sobre a tua cintura.
Sem pressa.
Sem medo.
Como quem finalmente encontra
onde pousar o coração.
albino santos
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Precioso texto, donde l delicadeza y romance se junta en ese amanecer junto a la persona amada.
ResponderEliminarUn abrazo feliz día.
Pd. Espero que las inundaciones no vayan más, cuidado con este tiempo tan lluvioso y ventoso que nos queda todavía una semana.
Albino,
ResponderEliminarteu poema é de uma delicadeza rara… ele não fala apenas de corpos, fala de permanência, de abrigo, de intimidade que nasce no silêncio. Há uma madrugada que não é de relógio, mas de alma esse instante em que dois mundos se reconhecem e repousam um no outro.
A imagem do amanhecer brotando no peito amado é profundamente simbólica: é renascimento, é confiança, é esse lugar onde o coração finalmente aprende a ficar. Gosto especialmente do ritmo manso dos versos, do “sem pressa, sem medo”, porque aí mora o amor verdadeiro aquele que não invade, mas pousa.
Teu texto não grita, ele sussurra… e justamente por isso toca tão fundo. Um poema que aquece como brasa quieta e ilumina como aurora. Belíssimo.
Abraço
Fernanda