Talvez o amor seja um poema – não
daqueles que se escrevem
meticulosamente,
mas daqueles que se vivem sem rascunho.
Um poema sem título,
que começa antes de sabermos ler os sinais
e termina muito depois da última linha.
O amor tem ritmo próprio,
às vezes é verso longo e profundo
que se estende por todo o horizonte.
Outras vezes é sílaba breve,
quase silêncio,
quase medo de dizer.
Há amores que rimam com eternidade
e outros que preferem
a rima imperfeita do momento.
Mas todos carregam metáforas no olhar,
porque amar é sempre ver no outro
muito mais do que o mundo vê.
Talvez o amor seja isso:
uma linguagem que nasce entre dois corpos,
uma sintaxe feita de olhares e espera,
uma pontuação de ausências e regressos.
E quando termina – se é que termina –
fica como ficam os grandes poemas:
não na página, mas na memória do peito
onde cada leitura dói,
ilumina e consola ao mesmo tempo!
albino santos
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