Quando a noite se aproxima da chama
e o vento te acaricia a cintura,
que posso eu fazer senão amar-te?
Amar-te como quem acende um lume
no centro do escuro,
deixando que o silêncio se aproxime
devagar, para ouvir o rumor dos teus passos.
Amar-te com a pele atenta,
com a boca cheia de palavras não ditas,
como se fosse um segredo
partilhado entre as sombras.
Amar-te até o corpo perder a alma,
e se render ao sabor lento da tua nudez.
Amar-te como quem se despe de preconceitos
e se veste de ousadia,
enquanto – escura e densa – a noite avança
e eu avanço contigo.
A noite cresce, fende o silêncio
e com ela, cresce o desejo,
essa maré lenta que nos sobe ao peito
e nos ensina a amar para sempre!
albino santos
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