EU NÃO ARDO NAS SOMBRAS, CONSTRUO ALVORADAS!...

segunda-feira, 20 de abril de 2026

SEDE










No verão, o mundo transpira desejos ocultos. O calor solta os aromas da terra, da pele, da fruta que se abre ao mais leve toque. E tu, és feita dessa mistura quente e provocante – o perfume da tarde na tua pele é uma vertigem que me leva a querer provar tudo, lentamente. Quando passas, trazes contigo esse cheiro doce, ácido, quase proibido – como o de uma laranja que se espreme devagar sobre a língua. E eu, sedento, deixo que esse aroma se cole em mim, como suor escorrendo sobre a pele. Há em ti um calor que não se vê, mas que se sente – entre o sussurro e o gesto, entre o olhar e a boca. A tua boca… tão fresca, tão molhada, cheia de promessas ditas em silêncio. É nela que a minha sede se faz fogo. Porque o que eu quero, não é só o gosto da tua saliva, mas a lentidão com que ela escorre quando os teus lábios se entreabrem, quando dizes o meu nome como se o provasses. Há uma sede que o verão desperta em nós – mas só tu sabes o sabor que a sacia. Quero-te com essa sede de fogo que nasce e morre na tua boca. E quando me aproximo com a sede gemendo na minha boca, eu sei que é na tua que me quero saciar. 



albino santos
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