No verão, o mundo
transpira desejos ocultos. O calor solta os aromas da terra, da pele, da fruta
que se abre ao mais leve toque. E tu, és feita dessa mistura quente e
provocante – o perfume da tarde na tua pele é uma vertigem que me leva a querer
provar tudo, lentamente. Quando passas, trazes contigo esse cheiro doce, ácido,
quase proibido – como o de uma laranja que se espreme devagar sobre a língua. E
eu, sedento, deixo que esse aroma se cole em mim, como suor escorrendo sobre a
pele. Há em ti um calor que não se vê, mas que se sente – entre o sussurro e o
gesto, entre o olhar e a boca. A tua boca… tão fresca, tão molhada, cheia de
promessas ditas em silêncio. É nela que a minha sede se faz fogo. Porque o que
eu quero, não é só o gosto da tua saliva, mas a lentidão com que ela escorre
quando os teus lábios se entreabrem, quando dizes o meu nome como se o
provasses. Há uma sede que o verão desperta em nós – mas só tu sabes o sabor
que a sacia. Quero-te com essa sede de fogo que nasce e morre na tua boca. E quando
me aproximo com a sede gemendo na minha boca, eu sei que é na tua que me
quero saciar.
albino santos
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