Sinto-me um deserto vasto e
silencioso, onde o tempo se deita sobre as dunas como um véu quente, ondulando
entre memórias. Há em mim uma sede quase mineral, que não se apaga com a
passagem dos dias nem com a ilusão das miragens. Caminho por mim mesmo como
quem procura um sinal ou uma nascente escondida no labirinto interminável e
rumoroso da memória.
E então vens tu – não como uma chuva tímida, mas como um rio impetuoso, cheio,
indomável. O teu corpo trás a força da corrente, trás fulgor, trás vida. E
quando te aproximas, o deserto em mim começa a estremecer, como se cada grão de
areia conhecesse finalmente o seu destino. Perco-me nesse fluxo, cedo ao teu
ímpeto, deixo de ser margem e dissolvo-me nas tuas águas. E aquilo que antes
era árido, torna-se fértil, pulsante, infinito. Cada instante contigo é excesso
– de calor, de presença, de desejo – como se o mundo inteiro se contraísse
nesse encontro onde as margens já não existem. Sedento de ti, ergo-me até ao
limite do que posso sentir, e bebo o horizonte como quem bebe a madrugada –
lenta, densa, inevitável. Há um sabor em ti que não se esgota, uma urgência que
não se apaga, mesmo depois de terminarem todos os instantes.
Depois… fica o eco. O calor que não arrefece. A memória do teu corpo ainda a
correr no meu, como um rio que se recusa a desaparecer. E eu permaneço, à beira
de mim mesmo, desejando essa inundação que transforma o deserto em vida, e o
desejo em infinito.
albino santos
* Reservados Todos os Direitos de Autor
Ella llega y ya no hay desierto, Albino, un abrazo!
ResponderEliminarHas elegido una metáfora grandiosa...Ese desierto lleno de arena, que silenciosamente guarda mil secretos y espera siempre la llegada de la amada; agua de vida, rio impetuoso, que deshace la sequedad y el silencio para ser fertilidad infinita...Mi felicitación por tu constante creatividad, que hace que contigo se eleve la poesía y comience a volar...hasta nosotros.
ResponderEliminarMi abrazo entrañable y feliz dia de la madre, mañana domingo.
Poeta Albino, boa tardinha de sábado!
ResponderEliminarApós o deserto, vem o oásis e o amor consente acontecer.
Tenha um final de semana abençoado!
Abraços fraternos
El desierto es arder entre arena, al igual que ese amor que nace entre ella, da vida, energía y, si me apuras, es el oasis que siempre se espera.
ResponderEliminarUn bonito poema.
Abrazos.
Este texto que hace un símil entre la arena y el amor, entre el calor y la sed, entre la luz y el gozo!
ResponderEliminarPrecioso!
besos
Qué oasis más cálido nos describes, Albino. Me ha encantado tu relato, es tan sensual y ardiente, como tierno y hermoso.
ResponderEliminarBesicos muchos.
Olá caro A.S.
ResponderEliminarUm bom texto amigo poeta.
A imagem do deserto funciona super bem para transmitir essa sensação de vazio e sede, e o contraste com a chegada intensa do “tu” dá uma força enorme ao conjunto.
Muito bom!
Bom final de semana.
Beijo!
Hola Albino. Un precioso poema que se mueve entre deliciosas metáforas donde el amor llega con fuerza dejando la huella del recuerdo, y que tú lo cuentas tan bonito.
ResponderEliminarUn abrazo y que pases un buen domingo.
albino, querido amigo, precioso oasis de placer y entrega.
ResponderEliminarEs una delicia leerte Poeta del amor
Que pases un Feliz mes de Mayo, lleno de amor.
Besitos y te dejo todo mi cariño
No deserto nascem os feiticeiros da sede.
ResponderEliminarÉ sempre um gosto enorme lê-lo, meu amigo Albino.
Um beijo.
Querido amigo Albino,
ResponderEliminarQue texto!! Maravilhoso!! Num só fôlego se lê cada metáfora a envolver cada contraste entre a sede e transbordamento dos sentires.
Amei!! Que tenhas dias lindos nesse mês de maio.
Beijos!
O fim do texto, as últimas linhas...ficam em nós. Um eco..
ResponderEliminar( maravilha!)
Hola Albino, que entrega más placentera en este texto.
ResponderEliminarEs precioso.
Donde hay Amor, no hay desierto.
Feliz semana.
Un abrazo
Li-te como quem atravessa um silêncio cheio de ecos, onde cada palavra tua levanta poeira de sentidos e acende horizontes dentro de mim.
ResponderEliminarHá desertos que não são ausência, mas espera — vasta, funda, quase sagrada — e no teu sentir reconheço essa paisagem onde tudo parece suspenso à espera de vida.
O que escreves não é apenas desejo, é uma travessia — um lugar onde o encontro deixa de ser acaso e passa a ser destino que se cumpre.
Fiquei a pensar nesse instante em que o árido se rende ao fluxo, em que o infinito se revela no mais íntimo dos gestos.
Obrigada por partilhares esse sentir tão cru e tão belo, como quem abre um mundo sem medo de ser visto.
Um abraço cheio de luz 🌿
Libânia Madureira
Ola A.S.
ResponderEliminarVocê escreve e descreve tão gentilmente que leio e releio e não me vejo em nenhum deserto. Quanta beleza há na sua poesia de sonhos e travessias de amor.
Desejo muita saúde e que muitas inspirações te cheguem.
beijos querido amigo.
O deserto depois uma chuva forte ,a 'madrugada – lenta, densa, inevitável.'
ResponderEliminarE só fica o eco aqui na minha sala .
Belíssimo, As
Qué prosa tan hermosa, tan íntima, tan mágica. Me envuelve ese eco que queda, ese rumor que no pasa, ese calor que sostiene, ese quedarse al borde de sí mismo... tus palabras caen del cielo al corazón amigo. ¡Felicidades! Admiro tus letras totalmente. Un abrazo para ti.
ResponderEliminarP A T Y