Fui eu quem desenhou cada lugar
onde o prazer em ti floresce, com a ternura de quem toca um corpo como quem
toca um segredo. Houve um tempo em que a tua pele era um devaneio fascinante,
que eu percorria devagar, atento ao menor arrepio, à mais leve mudança do teu
respirar, ao momento exacto em que o silêncio do teu corpo começava a falar. Descobri em ti lugares onde o desejo dormia à espera de ser chamado pelo nome
certo.
E toque após toque, beijo após beijo, fui deixando caminhos acesos sob a
tua pele –memórias invisíveis que ainda permanecem. Porque há gestos que não
terminam após terem acontecido; continuam vivos no corpo, escondidos na
lembrança, despertando de novo ao simples eco de uma voz ou de um pensamento.
Talvez seja isso que mais me fascina e inquieta: saber que existe no teu corpo
algo que também me pertence. Lugares onde ainda floresce a memória íntima das
minhas mãos. E mesmo quando o tempo passar, acredito que o teu corpo se
lembrará de mim como a pele se lembra do calor depois de queimada pelo sol.
albino santos
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