Quando
te escrevo,
sinto na pele um dócil ardor.
Os dedos passam sobre as teclas
como se tocassem o fogo lento da noite.
E tu és o fruto
nos meus dedos a tremer.
Podemos cantar, voar – podemos morrer.
no labirinto onde a sombra entra devagar
como quem lê um poema raro,
linha a linha, suspiro a suspiro,
lume breve que arde a noite inteira.
E se te falo de amor,
não é um amor abstracto, ocasional,
é tão concreto como o deslizar da minha mão
sobre a tua pele.
Lento como um beijo que começa tímido
e termina torrencial.
E se aproximares os lábios da última sílaba,
vais sentir o calor que nela deixei
à espera desse beijo
que há-de inundar a minha boca.
albino santos
* Reservados Todos os Direitos de Autor
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