Amanhece...
Na pele, todos os poemas ainda queimam.
Cada raio de sol que entra pela janela
é como um sopro sobre o fogo, reacendendo o verso
que insiste em ser chama.
E tudo se transforma num solfejo de luz,
como se uma matinal melodia
despertasse no silêncio um ímpeto de fulgor.
Com o aroma da madrugada devassando o ar,
esquecemos que existe um tempo para o amanhecer,
um patamar para a claridade.
A noite teima em brincar no nosso corpo,
chama por nós...
É só tempo de fechar a janela,
escurecer secretamente o dia
e reinventar o prazer na luz transfigurada da manhã.
albino santos
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