Quero
escrever para ti um majestoso poema.
Um
verso de fulminante deslumbramento,
como
o teu corpo despido devagar.
Mas as palavras fogem, deixam-me aflito.
Onde
uma palavra se dá, outra se esconde,
como
se escrever o poema fosse um delito.
Fogem
esquivas, como deusas, como putas,
Numa
simulação subtil e suprema
na
insegura e frágil estrutura do poema.
Mas
chamarei sem tempo as palavras que preciso,
até
que cansada e enrouquecida a minha voz
me
deixe angustiado falando a sós,
ainda que as palavras desfaleçam ao chegar,
prostituídas
nesta voz que o tempo corrompeu
como o teu corpo despido
devagar!...
albino santos
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