Há estações que se anunciam
devagar, como um perfume esquecido numa roupa antiga, como a luz morna que
escorre pelas cortinas antes mesmo do dia nascer. A primavera, talvez seja isso
mesmo: o instante em que o desejo desperta discretamente, sem fazer ruído, como
as primeiras luzes das colinas.
Ela sentia-o nos pequenos
detalhes. No modo como o silêncio se demorava entre duas palavras. Na maneira
quase cruel como certos olhares tocavam mais fundo do que as mãos.
Havia
qualquer coisa prestes a acontecer – e isso tornava tudo mais excitante.
As rosas no jardim, ainda
estavam fechadas, húmidas de orvalho. Mesmo assim, já exalavam um perfume leve,
como se guardassem para o momento certo a beleza que carregavam por dentro.
Também o amor possui esse segredo – oculta-se na espera, deixa que a noite
cresça nas suas margens nuas, até que as pétalas húmidas das rosas se ofereçam
amorosamente à luz do amanhecer.
E haviam os lábios... Sempre os lábios. Habitadas fronteiras entre aquilo que se
diz e aquilo que se deseja dizer. Quantas vezes o beijo começa muito antes da
boca? Talvez tudo comece num breve tremor, no cuidado lento com que alguém
pronuncia o nome do outro, ou no instante em que os dois percebem que já não pertencem
inteiramente à noite. Ela gostava dessa hesitação excitante… do quase. Ela
sabia que quando o desejo amadurece devagar, torna-se mais intenso, como um
poema escrito à média luz, onde cada palavra parece arder discretamente na
alvura da página.
albino santos
* Reservados Todos os Direitos de Autor
Albino,
ResponderEliminarli teu texto como quem sente a primavera chegando. Há uma delicadeza bonita na forma como tu escreves o desejo sem pressa, sem excesso, apenas deixando que ele amadureça entre silêncios, olhares e pequenas esperas. Enquanto eu lia, parecia sentir o perfume das rosas ainda fechadas, como se o amor também precisasse desse tempo secreto antes de florescer completamente. E talvez precise mesmo.
Gostei especialmente da parte em que tu falas dos lábios e desse instante em que o beijo começa antes da boca. Isso ficou repercutindo em mim, porque há sentimentos que nascem muito antes do toque começam na maneira como alguém nos olha, nos escuta ou demora um pouco mais ao dizer nosso nome.
Teu texto não apenas descreve o desejo. Ele envolve a gente devagar, como luz entrando pela cortina ao amanhecer. E isso é muito bonito.
Um abraço,
Fernanda
Albino, cada poema es un comienzo de vida, como este que nos dejas; la primavera nace en tus letras y las lanzas al mundo con la generosidad y la inspiración genuina que te acompaña siempre...Inagotable tu mirada, renovada...donde habita la luz divina, amigo poeta.
ResponderEliminarMi abrazo entrañable y agradecido.
Ese beso que se da o se pide con esa hermosa y seductora mirada.
ResponderEliminarTú texto invita a vivir una bella primavera, esa primavera eterna.
Un placer siempre venir a tus hermosas creaciones.
Disfrutemos de la primavera.
Un fuerte 🫂🤗
Feliz semana.
Es bellísimo este texto que encierra tantas emociones, todas maravillosas y deseables!
ResponderEliminarVivir en una eterna primavera incluso en el amor!
Qué idea tan preciosa.
Un beso grande.!
Boa tarde
ResponderEliminarConfesso que amor a Primavera.
.
Saudações poéticas
.
“” Feliz momento ““
.
Magnífica prosa poética, prolífico amigo Poeta. El lujo de siempre de leerte.
ResponderEliminarAbrazo admirado hasta vos!!
Qué lindo texto, donde la estación se une al amor y este al placer de sentir la vida de color de rosa. Esa primavera que la sangre altera y debemos sentir en todo su esplendor.
ResponderEliminarUn abrazo, feliz noche.
Poeta Albino, boa noite de paz!
ResponderEliminarA Primavera é uma Estação propícia ao amor e aos poemas lindos como li aqui.
Tenha dias abençoados!
Abraços fraternos
Encantadora la manera de tejer este hermoso texto que nos dejas, Albino. Una preciosidad! Abrazos.
ResponderEliminaralbino, querido Poeta
ResponderEliminarUna prosa preciosa donde la Primavera es como una invitación al deseo, al amor humedeciendo nuestros labios con el roció del amanecer y encender en nuestro corazón la llama del amor.
Siempre es una delicia leerte, que tengas un hermoso y feliz día
Besitos y te dejo todo mi cariño Poeta del amor
😘🌺😘˚˖𓍢ִ໋🌷͙֒✧🩷˚.🎀༘🍓🌞Ola baby! que forma linda de narrar esta espera amorosa, tao subtil e cheia de nuances. A primavera e a metafora perfeita para o desejo que desperta lentamente. Muito delicado e evocativo. Ha ternura nas suas palavras, caro amigo Albino. Adorei! 😊⋆💐🌺💐🌺🌺😘˚˖𓍢ִ໋🌷͙֒✧🩷˚.🎀༘🍓🌞⋆💐
ResponderEliminarHermoso texto donde la Primavera es la protagonista que nos invita a disfrutar del amor y de la sensaciones que nos provoca.
ResponderEliminarUn abrazo Albino
Puri
La Primavera nos envuelve con sus aromas y sensaciones! Un abrazo Albino!
ResponderEliminarOlá caro A.S.
ResponderEliminarBonito texto.
Essa primavera silenciosa, feita de espera e desejo contido, ficou mesmo nas entrelinhas. Talvez seja isso que torna o “quase” tão intenso.
Certas emoções florescem devagar, como as rosas antes de abrirem por completo.
Muito bom meu amigo poeta.
Beijo!
Ola Albino, estou de volta, não tenho viajado, tenho me dedicado a fotografia.
ResponderEliminarFoi bom vir aqui e ler tuas palavras sobre a primavera e quando o desejo começa a despertar, tudo como a primavera. Tudo escrito com muita sutileza do princípio até ao fim.
Beijinhos
Que texto delicadamente sedutor e profundamente poético… Há nele uma sensualidade sutil, construída não pelo excesso, mas pela espera, pelos silêncios e pelas entrelinhas do desejo.
ResponderEliminarA comparação da primavera com um perfume esquecido numa roupa antiga ficou lindíssima… tão suave e nostálgica, como se a estação despertasse não apenas a natureza, mas também emoções adormecidas dentro da alma. O texto inteiro possui essa atmosfera de despertar lento, íntimo e quase secreto.
Achei especialmente encantadora a forma como o desejo é tratado: não como urgência, mas como maturação. Os olhares, os silêncios, os lábios e até a hesitação ganham uma força enorme justamente porque tudo acontece devagar, em estado de expectativa. Isso torna cada imagem ainda mais intensa e elegante.
“O beijo começa muito antes da boca” é uma frase belíssima e extremamente verdadeira. Porque os grandes encontros quase sempre começam no invisível — no olhar que permanece, na voz que suavemente pronuncia um nome, no instante em que duas almas percebem que já estão se aproximando antes mesmo do toque.
Um texto de rara sensibilidade, onde a primavera se transforma em metáfora do amor que floresce lentamente, como pétalas úmidas se abrindo à luz. Poesia suave, madura e envolvente, daquelas que permanecem ecoando depois da leitura.
Ah ! essa primavera !
ResponderEliminarTanto a dizer mas tu disseste tudo e fico envolvida sigilosamente, para que nada me desperte. Um abraço, As um abraço