Descobri tarde
que o tempo não é uma estrada.
É um oceano. Afundamos nele
e chamamos passado
àquilo que ainda nos toca.
Chamamos saudade
àquilo que sobreviveu ao naufrágio
e chamamos eternidade
ao que o tempo não conseguiu desfazer.
Por isso, permanecemos na margem
onde todas as horas
esperam umas pelas outras.
Foste um dia por terminar,
uma tarde que recusou o crepúsculo,
um longo beijo de despedida
em que cada instante
morre na água com sede de fogo.
E nós,
que nunca aprendermos a parar o tempo
passamos a vida inteira
a tentar regressar ao minuto
em que ainda nos julgávamos eternos!
albino santos
* Reservados Todos os Direitos de Autor
Boa tarde A.S
ResponderEliminarUm texto belíssimo, de uma profunda delicadeza. A metáfora do tempo como oceano, onde afundamos memórias, saudades e tudo aquilo que permanece em nós, é particularmente tocante.
Há neste poema uma melancolia serena, mas também uma grande beleza: a consciência de que certas pessoas e certos instantes, mesmo depois de terminados, continuam a viver dentro de nós.
Um poema que se lê devagar e fica muito para além da última palavra.
Bom fim-de-semana.
:)
Hay momentos únicos e irrepetibles y así son mejor dejarlos
ResponderEliminarNunca por mucho que se intente nada se vive dos veces igual.
Excelente entrada.
Un abrazo feliz fin de semana.
Olá caro A.S.
ResponderEliminarHá pessoas que nos dizem que é preciso esquecer o passado, seguir em frente, mas, diante destes versos, eu diria: Como é possível?
Se há coisas que o tempo não consegue desfazer, talvez não tenham passado. São memórias que permanecem, saudades que sobreviveram ao naufrágio e momentos aos quais, secretamente, ainda tentamos regressar.
Porque há instantes que terminam, mas nunca deixam de existir dentro de nós.
Muito bom meu amigo poeta.
Bom final de semana.
Beijo!
El tiempo,a veces un milagro,a veces una condena...
ResponderEliminarTus palabras siempre llegan al alma!
besos
Melancólico poema. Te mando un beso
ResponderEliminarPoeta Albino, boa noite de paz!
ResponderEliminarNão sabíamos que não seria eterno e o vivemos intensamente, fizemos a nossa parte bem feita. Se não foi para sempre, pelo menos tentamos com toda as forças da nossa alma. Assim se vive melhor.
Tenha um domingo abençoado!
Abraços fraternos
"Fuiste un día que nunca terminó" Por eso siempre estará, un abrazo Albino!
ResponderEliminarSomos muy selectivos e incapaces de aceptar los que no deseamos ver. Lo has expresado tan magníficamente, que me voy aplaudiendo!!
ResponderEliminarBesicos muchos.
Tu poema nos va mostrando cómo vivimos, a veces, sin ser conscientes del momento...hasta que pasa y no vuelve. Entonces valoramos lo vivido y se convierte en ese día que nunca acaba...La vida es efímera y hay que sentirla en profundidad y detenerla, saborearla a ratos...para crear esa eternidad...Muy bello literaria y sentimentalmente.
ResponderEliminarMi abrazo, amigo poeta.