Eu fui a fonte, a vertigem, o
sol. Fui a água que te procurava na sede, o calor que se demorava na tua pele,
a luz que entrava pelas fendas do teu silêncio. Fui impulso e demora, o lugar secreto
onde te despias como o orvalho da manhã.
E tu foste o sonho. A miragem
que aparecia quando eu fechava os olhos, a madrugada que se perdeu no vértice
da noite, onde o impossível não existe. Eras essa forma cruel e bonita de
existir dentro de mim, sem nunca, teres entrado inteiramente. Ainda me lembro
de ti pelo cheiro, pelo calor, pela forma como o corpo reconhece aquilo que
jamais esqueceu. Havia entre nós uma cumplicidade única. Um silêncio cheio de
coisas por dizer, olhares que se demoravam longamente até os olhos se fecharem
de desejo, mãos que conheciam o caminho sem jamais o percorrerem por completo.
E, quando a distância se instalava entre nós, o desejo crescia e nós inventávamos
tudo o que o corpo pedia.
Eu fui o sol. Tu a madrugada. Foi esse o nosso destino: Eu nascer em ti como luz, enquanto tu desaparecias em mim como sombra. Mas há sonhos que não terminam quando acordamos. Ficam suspensos no corpo como uma música que ninguém escuta. Ficam na memória dos dedos, no sabor imaginado de um beijo, naquele instante em que os olhos se fecham e, por uma fracção de segundo, acreditamos que o tempo pode voltar para trás. Eu, às vezes, ainda volto. Volto aquele lugar onde fomos possíveis. Onde eu era a fonte, vertigem , sol… e tu, antes de seres distância, eras a minha mais bela madrugada.
albino santos
* Reservados Todos os Direitos de Autor
Qué bellos y nostálgicos recuerdos, siempre idealizados y versados. Una muy feliz tarde. Abrazos.
ResponderEliminarBoa tarde AS
ResponderEliminarUm texto belíssimo, intenso e carregado de sentimento.
Há nele uma delicada mistura de desejo, memória e saudade, onde o amor permanece vivo mesmo quando a distância se instala.
Uma leitura que nos toca e nos deixa a sentir aquilo que, por vezes, as palavras não conseguem dizer.
Gostei!
:)
Un relato maravilloso pleno, nostálgico y de mucho sentimiento!
ResponderEliminarUn beso grande.
Olá caro A.S.
ResponderEliminarQue texto lindo e profundamente sensível. Há nele uma mistura rara de desejo, saudade e aquilo que poderia ter sido, mas nunca chegou a se completar. Talvez seja justamente isso que o torna tão intenso. Algumas histórias não precisam acontecer por inteiro para permanecerem inteiras dentro de nós. “Tu, antes de seres distância, eras a minha mais bela madrugada” é de uma beleza que fica. Há encontros que terminam, mas continuam existindo na memória, no corpo e naquilo que jamais conseguimos dizer.
Muito bom amigo poeta.
Uma suave semana pra você.
Beijo!
Albino,
ResponderEliminarhá encontros que não precisam acontecer por inteiro para deixarem marcas inteiras na memória. Talvez alguns amores existam justamente nesse lugar indefinido entre o desejo e a distância, onde o que não foi vivido ganha a delicadeza do que poderia ter sido.
Seu texto me fez pensar que certas pessoas não permanecem na nossa vida, mas permanecem em nós. Voltam às vezes sem aviso, trazidas por uma lembrança, uma música, um cheiro, uma palavra. E, por um breve instante, aquilo que parecia adormecido respira outra vez.
Talvez seja esse o mistério de algumas histórias: elas terminam na realidade, mas continuam existindo dentro de nós, não como promessa de retorno, mas como memória de uma possibilidade que um dia nos fez sentir profundamente vivos. E há lembranças que não pedem explicação. Apenas merecem ser guardadas com ternura.
Abraço
Fernanda
Que poético y melancólico texto. Te mando un beso.
ResponderEliminarSinceramente, eu me emociono com tuas letras, essa profundidade com que você alcança e expõe os sentires é algo além do que se pode dizer, é magnifico!
ResponderEliminarÉs iluminação poética. Parabéns!!!
Beijos!!
You have a real gift for capturing the deep ache of memories that refuse to disappear. Returning to those sweet, quiet moments of what used to be is something so many of us can relate to.
ResponderEliminarEl tiempo somos nosotros mismos, retrocedemos y recuperamos los sentimientos para renovarlos...hacerlos presente y eternizarlos...Tu inspiración nos muestra la fortaleza espiritual que te acompaña, amigo poeta...Atesoras el sentimiento, elevándolo sobre la realidad y dándole ese toque divino que, le permite seguir siendo por encima de las circunstancias...En esa fortaleza y fidelidad que tienes está el mismo Dios, alentándote, dándote esperanza y calma.
ResponderEliminarMi felicitación y mi abrazo entrañable, Albino.
Albino, quão lindo, magnífico e cheio de paixão escrito!!!
ResponderEliminarEnvio-te um abraço da minha Eslovénia, claro que te adicionei obrigatoriamente aos meus Amigos, Andreja!
albino, querido amigo nos dejas un relato hermoso, lleno de bellos sentimientos, tu corazón esta lleno de ellos, es una delicia leerte Poeta del amor
ResponderEliminar❤️Besitos y te dejo todo mi cariño, dulces sueños, cuídate mucho.
Obrigado pelas tuas palavras que acariciam a minha alma, obrigado por mais um blog maravilhoso, devolvo toda a bondade, Andreja!
ResponderEliminarPoeta Albino, boa noite de paz!
ResponderEliminarMuito linda a duplicidade do amor!
A diferença faz a diferença.
Tenha um outubro abençoado!
Abraços fraternos
Tão bonito, tão cheio de sentimento.
ResponderEliminarEu continuo a achar que devemos voltar aos sítios onde fomos felizes, desde que saibamos que as madrugadas vão ser diferentes.
Gostei muito. Gostei tanto.
Abraço e brisas doces ***
Me acerco de nuevo a leer tus entradas poeticas,espero que tu salud este bien y ya recuperado sigas compartiendo en este sitio que nos acoge.Te dejo un gran abrazo y espero verte por mi casa otra vez!
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