Havia na noite uma quietude
quase solene. A luz pousava devagar sobre o nosso rosto, e o tempo, por uma
dessas raras crueldades, parecia ter suspendido o seu curso para nos conceder
mais alguns instantes antes do adeus. Tu estavas diante de mim, tão próximo que
a distância era uma espécie de vertigem. Notei que prolongaste o silêncio.
Demoraste. E nessa demora havia tudo o que naquele momento não ousamos
confessar: a ternura, o amor, o desejo, a hesitação de quem sabe que certas
portas, uma vez fechadas, não tornam a abrir-se com a mesma luz. A tua boca
pairava bem próximo da minha, como a última página de uma história que nenhum
de nós queria terminar.
Lembro-me sobretudo do silêncio. Do modo como os teus
olhos procuravam os meus, como se ainda esperassem encontrar neles uma razão
para ficar. Eu nada disse. Talvez porque há momentos em que qualquer palavra
pode precipitar a partida, e o silêncio, ao contrário, ainda guarda a esperança
de que tudo pode continuar. Porém, o silêncio foi ficando mais espesso, a tua
imagem foi lentamente dissipando, como se uma estranha névoa se tivesse formado
subitamente entre os nossos corpos, até que desapareceste sem que entre nós
houvesse o mais ligeiro toque.
Na noite, escura e triste, ficou
o perfume ténue da tua presença, ficou no ar a memória do que quase aconteceu.
E ficou em mim aquele instante suspenso, tão breve e tão marcante, em que os
nossos lábios estiveram à distância de um suspiro. Compreendi então, que
algumas coisas não terminam quando alguém fecha a porta. Continuam a acontecer,
silenciosamente, dentro de nós. Voltam nas noites mais agitadas, quando a
memória, essa amante paciente, me devolve a proximidade da tua boca e o calor
ansioso daquele último instante em que desapareceste diante dos meus olhos.
albino santos
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Los sentimientos no mueren por la ausencia, un abrazo Albino!
ResponderEliminarA presença de uma ausência é bem palpável, em certas noites de solidão.
ResponderEliminarGostei...
Abraço.
Boa tarde A.S.
ResponderEliminarUm texto belíssimo, envolto numa atmosfera de silêncio, desejo e saudade.
Há sentimentos que não precisam de palavras para permanecerem em nós, e este texto traduz, com muita sensibilidade, precisamente esses instantes que ficam para sempre na memória.
Um belo momento de prosa poética, como já nos habituou.
Desejo uma boa semana com saúde e tranquilidade.
:)
Hay silencios que son la antesala de la ausencia de la comunicación, complicidad de la pareja y un desenlace que deja paso al alejamiento.
ResponderEliminarUn buen texto.
Mis felicitaciones y un fuerte abrazo.
Poeta Albino, boa noite de paz!
ResponderEliminarQuando o quase acontece, a noite fica mais escurecida... Sabe colocar me palavras sentimentos irresolutos..
Tenha um setembro abençoado!
Abraços fraternos
El corazón nunca duerme, Albino.Tampoco olvida. Para estas cosas tiene muy buena memoria.
ResponderEliminarUn texto precioso. Un abrazo.
Triste pero bello. Todo continúa y se redimensiona en nuestro corazón...
ResponderEliminarAbrazo admirado, Poeta!!
Olá caro A.S.
ResponderEliminarÉ incrível como certos momentos, mesmo sem acontecerem por completo, conseguem ficar tão marcados dentro da gente. Um texto muito bom, intenso e emocional, que transmite muito sentimento.
Parabéns meu amigo poeta.
Beijo!
Hermoso relato nos dejas en esta ocasión Albino, cargado de sentimientos encontrados.
ResponderEliminarBesicos muchos.
Una delicia de prosa poética, los sentimientos resisten todo, las ausencias, despedidas, distancias y quedan por encima de todo sufrimiento.
ResponderEliminarUn abrazo!
A veces las circunstancias nos van cambiando y todo ello requiere comunicación y entendimiento...Y aunque los sentimientos verdaderos perduran, la lógica de la mente los adormece, nos va mostrando cambios y nuevas perspectivas que nos alejan...Tus letras nos van mostrando dos seres, que viven momentos de madurez y crecimiento interior distintos...Son muy bellas y se atisba el dolor de la ausencia.
ResponderEliminarMi abrazo entrañable y feliz septiembre, amigo poeta.
Bonjour cher poète ,
ResponderEliminarj’ai beaucoup aimé me laisser emporter par tes mots…
Ton texte est d’une grande délicatesse, rempli de tendresse et de cette douce mélancolie qui reste longtemps au cœur. J’ai particulièrement aimé ce silence entre deux êtres, où les regards semblent tout dire lorsque les mots deviennent impossibles.
Un instant suspendu, un amour inachevé… et un souvenir qui continue de vivre en nous.
Merci pour ce si beau partage, J’ai vraiment pris plaisir à te lire.
Avec toute mon amitié , bisou
Lady 🌹