No
silêncio da noite, a noite veste-se de seda e pousa sobre mim. No ar, o hálito
da madrugada mistura-se com o cheiro da terra molhada, como se tivesse acabado
de chover. Há rumores que não vêm do vento, mas de bocas invisíveis roçando a
minha pele. Sons baixos como sussurros, quase beijos, que deslizam suavemente
pelo meu corpo. As sombras movem-se como amantes que dançam sem música – mãos imaginárias
contornam as minhas formas com lentidão, saboreando a distância antes de tocar.
A lua brilha, oblíqua, espreita como amante impaciente, derramando luz dobre a
pele como quem desnuda devagar.
A noite é como um corpo que me envolve, e cada rumor é um suspiro que se recusa
a acabar. Porém… há um rumor diferente que tem a tua voz e a forma do teu
corpo. E no lugar onde os meus olhos repousam e a alma se despe, são as tuas mãos
que me encontram como destino. Vêm suaves como uma pluma atravessando véus de
sono, como se o próprio universo te sussurrasse o caminho para chegares até mim.
E
quando me tocas, algo em mim se acende. E tu, feita de desejo e madrugada,
pintas constelações no meu peito com a ponta dos dedos, como se o meu corpo
tivesse sido moldado aos teus contornos. E cada gesto teu sobre a minha pele,
dá-me a secreta certeza de que à noite sempre voltarás. Porque há momentos de
amor e prazer que não se perdem, vivem para sempre dentro de nós, quando o
mundo inteiro dorme e nós nos encontramos, ternamente, no silêncio da noite.
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albino santos
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