Vejo-te dançando sobre um oceano de estrelas, um mar onde só
tu navegas, com o corpo em chamas e a alma vestida de luar.
Dançavas como se o universo
inteiro tivesse nascido para te contemplar, como se cada estrela, rendida à tua
presença, se desprendesse do céu apenas para beijar a tua pele. E eu, perdido
na imensidão desse azul sem margens, seguia-te com os olhos, incapaz de
distinguir onde terminava a noite e começava o teu corpo. Havia uma espécie de
magia indomável, um fogo lento que não consumia mas despertava. Cada movimento
teu era uma promessa sussurrada ao silêncio, cada curva, um segredo que a noite
guardava só para si. E esse teu dançar tinha a cadência das ondas quando
procuram a praia, a languidez dos sonhos quando se recusam a terminar, o doce
atrevimento de quem sabe que pode incendiar o
mundo sem lhe tocar.
Quis ser mar para te acolher,
onda para te envolver, brisa para percorrer de mansinho, os recantos onde a tua
pele guarda o calor dos desejos. Quis ser a lua que te ilumina sem te prender,
o horizonte que te chama sem te exigir, a estrela que escolhes entre milhares
quando sentes vontade de dançar com alguém.
Mas tu continuavas… livre,
luminosa, perigosamente bela!
E eu ardia à distância, nesse
lugar secreto onde o desejo se faz poesia e a saudade aprende a ter o sabor dos
lábios que ainda não beijamos. Há corpos que se tocam e nunca se encontram… e
há almas separadas por oceanos que se reconhecem numa única dança.
E tu… és essa dança.
A chama que desafia a água.
O sonho que faz estremecer as estrelas.
E se algum dia te cansares de
navegar nesse mar infinito, procura-me no lugar onde o céu se deita sobre o
horizonte. Estarei à tua espera, com o coração descalço e os braços abertos,
sem mapas, sem promessas, apenas com esta vontade de te acolher. E então,
quando a noite fechar os olhos e o universo se esquecer de nós, talvez te
aproximes devagar… tão devagar que o próprio tempo sustenha a respiração.
Talvez as nossas mãos se encontrem antes dos nossos lábios. Talvez o silêncio
nos conte aquilo que as palavras nunca ousaram dizer. E talvez, por um instante
apenas, o oceano inteiro se transforme em céu, as estrelas desçam para nos
cobrir e o teu fogo encontre no meu peito um lugar onde arder sem medo.
Até lá, continuarei a ver-te dançar… nesse mar onde só tu
navegas com o corpo em chamas.
E eu, secretamente, a desejar ser o infinito onde te perdes.
.
albino santos
* Reservados Todos os Direitos de Autor

Sem comentários:
Enviar um comentário