EU NÃO ARDO NAS SOMBRAS, CONSTRUO ALVORADAS!...

quarta-feira, 21 de outubro de 2026

VEJO-TE DANÇANDO...














Vejo-te dançando sobre um oceano de estrelas, um mar onde só tu navegas, com o corpo em chamas e a alma vestida de luar.

Dançavas como se o universo inteiro tivesse nascido para te contemplar, como se cada estrela, rendida à tua presença, se desprendesse do céu apenas para beijar a tua pele. E eu, perdido na imensidão desse azul sem margens, seguia-te com os olhos, incapaz de distinguir onde terminava a noite e começava o teu corpo. Havia uma espécie de magia indomável, um fogo lento que não consumia mas despertava. Cada movimento teu era uma promessa sussurrada ao silêncio, cada curva, um segredo que a noite guardava só para si. E esse teu dançar tinha a cadência das ondas quando procuram a praia, a languidez dos sonhos quando se recusam a terminar, o doce atrevimento de quem sabe que pode incendiar o
mundo sem lhe tocar.

Quis ser mar para te acolher, onda para te envolver, brisa para percorrer de mansinho, os recantos onde a tua pele guarda o calor dos desejos. Quis ser a lua que te ilumina sem te prender, o horizonte que te chama sem te exigir, a estrela que escolhes entre milhares quando sentes vontade de dançar com alguém.

Mas tu continuavas… livre, luminosa, perigosamente bela!

E eu ardia à distância, nesse lugar secreto onde o desejo se faz poesia e a saudade aprende a ter o sabor dos lábios que ainda não beijamos. Há corpos que se tocam e nunca se encontram… e há almas separadas por oceanos que se reconhecem numa única dança.

E tu… és essa dança.
A chama que desafia a água.
O sonho que faz estremecer as estrelas.

E se algum dia te cansares de navegar nesse mar infinito, procura-me no lugar onde o céu se deita sobre o horizonte. Estarei à tua espera, com o coração descalço e os braços abertos, sem mapas, sem promessas, apenas com esta vontade de te acolher. E então, quando a noite fechar os olhos e o universo se esquecer de nós, talvez te aproximes devagar… tão devagar que o próprio tempo sustenha a respiração. Talvez as nossas mãos se encontrem antes dos nossos lábios. Talvez o silêncio nos conte aquilo que as palavras nunca ousaram dizer. E talvez, por um instante apenas, o oceano inteiro se transforme em céu, as estrelas desçam para nos cobrir e o teu fogo encontre no meu peito um lugar onde arder sem medo.

Até lá, continuarei a ver-te dançar… nesse mar onde só tu navegas com o corpo em chamas.
E eu, secretamente, a desejar ser o infinito onde te perdes.

.

albino santos
* Reservados Todos os Direitos de Autor

Sem comentários:

Enviar um comentário