É noite. De olhar fixo no
horizonte
deixo a imaginação caminhar pelo escuro,
enquanto, lentamente,
se vai revelando diante de mim
o que de ti ainda existe nas minhas mãos.
Vem. Segue a marca dos teus pés
que deixaste na poeira dos caminhos,
abre o decote assombroso
sobre os teus frutos amadurecidos
e diz que são maçãs sem sombra de pecado,
para que eu possa sentir
o seu virgem sabor no alvoroço da língua.
Transforma a tua boca numa flor de mel
para eu voltar a sentir-me abelha
zumbindo nos teus lábios.
Vem. Devolve-me o gosto do infinito
que o aroma da noite deixou na tua pele.
Vem! Porque são terríveis os olhos do amor
quando ficam vazios.
albino santos
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