Sentado à varanda do mundo
morro com todas as coisas que morrem,
vivo com todas as coisas que vivem.
No lugar onde incendiamos tantas noites,
resta apenas o débil crepitar
da nossa sombra;
O tempo eternizou-nos o sono,
e o desejo dorme o que ainda não sonhou.
No escuro sem nome,
há um silêncio musical que se instalou
entre a memória
e o paraíso das nossas bocas,
como uma nuvem dissipada
na luz crepuscular.
E na eternidade deste instante,
sinto ser tão sereno tudo o que me resta:
Um manso e azul sossego,
a noite imensa,
a espantosa imobilidade das horas.
Quase nada me habita…
apenas aquele silêncio musical,
indecifrável,
ainda quente dentro da boca.
albino santos
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