EU NÃO ARDO NAS SOMBRAS, CONSTRUO ALVORADAS!...
sexta-feira, 31 de julho de 2015
NO CÉU NOCTURNO DOS TEUS OLHOS...
Foi súbita a tua passagem pela noite,
mas não consigo deixar
de me ver reflectido
no céu nocturno dos teus olhos.
E, ainda que feche os meus,
não consigo conceber outro espelho
senão aquele que me olha
numa silenciosa cumplicidade.
Tua retina é um imenso mar,
onde é inevitável navegar,
como uma carícia perdida
na quietude das águas.
Não consigo suster
a minha imaginação invasiva...
que te toca com as mãos,
com a língua,
construindo um poema
que flutua na ressaca das ondas.
Sublime instante, onde o teu olhar
desperta intensidade, vida, desejo,
vestígios de um amoroso silêncio a arder,
brandamente, dentro dos olhos.
albino santos
*Reservados Todos os Direitos de Autor
domingo, 26 de julho de 2015
TÃO SERENO O QUE ME RESTA...
Sentado à varanda do mundo
morro com todas as coisas que morrem,
vivo com todas as coisas que vivem.
No lugar onde incendiamos tantas noites,
resta apenas o débil crepitar
da nossa sombra;
O tempo eternizou-nos o sono,
e o desejo dorme o que ainda não sonhou.
No escuro sem nome,
há um silêncio musical que se instalou
entre a memória
e o paraíso das nossas bocas,
como uma nuvem dissipada
na luz crepuscular.
E na eternidade deste instante,
sinto ser tão sereno tudo o que me resta:
Um manso e azul sossego,
a noite imensa,
a espantosa imobilidade das horas.
Quase nada me habita…
apenas aquele silêncio musical,
indecifrável,
ainda quente dentro da boca.
albino santos
*Reservados Todos os Direitos de Autor
quarta-feira, 22 de julho de 2015
EVANESCENTE...
Enquanto a noite avança,
vazia de ruídos,
há uma escura suavidade
em cada penumbra do teu corpo
a perpetuar a sombra dos caminhos.
Silêncio… nenhum som, senão este
da tua língua a roçar meus
pensamentos,
como uma música de água
que atravessa o tempo
e nunca dorme. Doce canção.
Sonho silêncio de muitas manhãs,
melodia que a luz de outro tempo
ainda não esqueceu.
Sons diluídos na tua voz de anjo,
inventando
eternidades na escura suavidade
do teu corpo nocturno.
Evanescente… eternamente evanescente!
albino santos
*Reservados Todos os Direitos de Autor
terça-feira, 7 de julho de 2015
EM ESTADO PURO
Gosto de vaguear
no escuro
onde tudo se despe.
Tocar a pele
das coisas secretas.
Reduzir a moral e a linguagem
à sua mais simples
expressão.
Gosto de abandonar
as linhas rectas
para me perder
nas curvas do imprevisível,
entre luas, cometas,
mares e fábulas.
Aceder ao prazer,
ao amor, ao viver,
não hora nem mapa.
Não tem tem direcção!
Para além das margens do tempo
e do espaço,
tudo é explosão!...
albino
santos
*Reservados Todos os Direitos de Autor
*Reservados Todos os Direitos de Autor
quarta-feira, 1 de julho de 2015
ABRE AS ASAS E VOA!...
Abre as asas e voa!...
Se a noite te confunde e te faz temer
que um voo sem olhos
se despenhe num abismo,
enche a noite de estrelas e verás
que as asas te levarão sempre
enche a noite de estrelas e verás
que as asas te levarão sempre
para o mais alto.
Goza a euforia do voo!...
Corre-te no sangue
a poalha cintilante dos céus
e o brilho das estrelas foi feito
para orientar o ímpeto das asas.
Abre as asas e voa!...
Pois és a origem de um voo sem tempo,
a volúpia de um sopro de desejo
Goza a euforia do voo!...
Corre-te no sangue
a poalha cintilante dos céus
e o brilho das estrelas foi feito
para orientar o ímpeto das asas.
Abre as asas e voa!...
Pois és a origem de um voo sem tempo,
a volúpia de um sopro de desejo
na leveza das asas,
uma ave insólita procurando
a inocente incandescência dos astros
que iluminam o destino do voo.
Rumo ao céu?
Que importa a rota!
Voa, enquanto resistirem as asas!...
albino santos
*Reservados Todos os Direitos de Autor
uma ave insólita procurando
a inocente incandescência dos astros
que iluminam o destino do voo.
Rumo ao céu?
Que importa a rota!
Voa, enquanto resistirem as asas!...
albino santos
*Reservados Todos os Direitos de Autor
quarta-feira, 24 de junho de 2015
POLIEDRO
Detesto o instante que é o decalque de outro instante.
As linhas rectas do caos da normalidade.
O gigantesco vazio onde nada flutua ou se movimenta.
O rigor da simetria reflectida na face de um espelho.
A cor cinzenta do tédio e da rotina que nos trespassa.
Eu quero matar a sede na água dos astros,
cassiopeias de seiva e poesia a circularem nas veias,
dilúvios nocturnos, rios de desejo,
dedos mergulhados num eriçado alvorecer,
músicas de vento murmurando rimas incendiárias!
Quero o poliedro da mente,
cujas faces rodopiam e rompem as grades
de todas as convicções e me levam para longe,
sem saber para onde!
O que importa é ir e diluir-me nas paisagens
que vão surgindo.
O caminho é que me vai encontrando
enquanto eu me permitir ser livre!...
albino santos
*Reservados Todos os Direitos de Autor
quinta-feira, 18 de junho de 2015
NÃO EXISTO!...
Hoje eu só quero viver o que não vivi ainda!
Nada mais me interessa
que não seja esse presente imperfeito indefinido,
porque tudo se evola
no gesto inútil do seu acontecer.
Não há genética que me identifique.
No meu gráfico não há pagadas nómadas,
nem ponto de origem,
nada cartesianamente planeado.
Infinita acidentalidade!
Eu sou a imagem tridimensional de quem me sonhou.
Não existo.
Cheguei das líquidas galáxias vegetais do sonho
e circulo na seiva das plantas estelares
em forma de metáfora,
onde acontece a alquimia do poema!
Não existo.
Cheguei das líquidas galáxias vegetais do sonho
e circulo na seiva das plantas estelares
em forma de metáfora,
onde acontece a alquimia do poema!
albino santos
*Reservados Todos os Direitos de Autor
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